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Risco Sistemático

por Nuno Edgar Fernandes, em 24.07.13

Prosseguindo com as definições sobre Economia, Mercados Financeiros e Investimento, hoje foco assente no conceito de Risco Sistemático. A Associação Portuguesa de Investidores dá definição em Português numa sua Wiki que irá ser complementada pela versão mais completa em Inglês. 

Risco Sistemático, ou do inglês Systematic Risk, considera-se o risco geral do mercado. Ou seja, o risco relacionado com mercado em todo o seu conjunto, como por exemplo os aspectos políticos, sociais ou económicos do mundo, do país ou apenas para o sector, ou ainda outros que alteram o comportamento da maioria dos investidores.

Este risco é distinto do risco individual de cada um dos valores cotados por ser um risco do mercado no seu conjunto e por isso chama-se também risco não diversificável na mediad em que não é possível reduzi-lo ou cobri-lo através da diversificação da carteira por diversos títulos ou sectores.

A designação deste tipo de risco difere se estivermos a lidar com assunto económico ou se estivermos em assunto financeiro. Para a Economia designa-se de Risco Agregado. O Risco Sistemático não deve ser confundido com Risco Sistémico, que é um risco intrínseco do sistema financeiro como um todo e que o pode por em risco de forma inesperada, instantânea e catastrófica!

Propriedades do Risco Sistemático - Risco sistemático ou agregado surge da estrutura do mercado ou dinâmicas que produzem choques ou incertezas enfrentadas por todos os agentes no mercado, tais choques podem surgir a partir de políticas do governo, as forças económicas internacionais, ou catástrofes naturais. Em contraste, o risco idiossincrático, o qual já anteriormente aqui expusemos (às vezes chamado de risco específico, risco não sistemático, o risco residual ou risco diversificável) é um risco ao qual apenas os agentes ou sectores específicos são vulneráveis (e é não correlacionado com os retornos do mercado agregado ou Índice). Devido à natureza idiossincrática de risco não sistemático,  este pode ser reduzido ou eliminado por meio da diversificação, mas uma vez que todos os agentes do mercado são vulneráveis ao risco sistemático, não podem ser limitados através da diversificação (mas pode ser objecto de seguro). Como resultado, os activos cujos retornos esperados são negativamente correlacionados com os retornos de mercado agregado ou Índice indicam preços mais altos do que os activos que não possuem essa propriedade.

Em alguns casos, existe o risco de agregação devido a constrangimentos institucionais ou outro sobre a completude do mercado ou assimetrias de informação. Para os países ou regiões que não têm acesso aos mercados de cobertura ampla, eventos como terramotos e choques climáticos adversos também pode actuar como caros riscos agregados. Robert Shiller (proeminente académico de Finança) revelou que, apesar dos progressos da globalização das últimas décadas, os riscos de renda agregada a nível nacional ainda são significativas e poderiam ser reduzidos por meio da criação de melhores mercados de cobertura global (assim potencialmente tornando idiossincrático, ao invés de agregar, riscos). Especificamente, Shiller defendeu a criação de mercados futuros de macro (para riscos macroeconómicos). Os benefícios de um tal mecanismo depende do grau em que as condições de macro são correlacionados entre países.

Risco Sistemático em Finança - Risco sistemático desempenha um papel importante na questão de determinação de alocação de carteira. Riscos que não podem ser eliminados através da diversificação geram retornos acima da taxa livre de risco (o risco idiossincrático não gera esse retorno, uma vez que pode ser diversificada). No longo prazo, uma carteira bem diversificada proporciona retornos que correspondem com a sua exposição ao risco sistemático; investidores enfrentam um trade-off entre retorno e risco sistemático. Portanto, os retornos desejados de um investidor correspondem com a sua exposição desejada ao risco sistemático e á selecção de activos correspondente. Os investidores só podem reduzir a exposição da carteira ao risco sistemático, sacrificando retornos.

Um conceito importante para avaliar a exposição de um ativo ao risco sistemático é Beta.  Beta indica o grau em que o retorno esperado de um activo está correlacionado com os resultados do mercado mais amplo,  e é simplesmente um indicador de vulnerabilidade de um ativo ao risco sistemático. Assim, o modelo de prespicificação de ativos de capital (CAPM) relaciona e liga diretamente o preço de equilíbrio de um activo com a sua exposição ao risco sistemático.

Esta exposição não está completa pois falta referir o mesmo conceito mas aplicado a cenário Económico, o que irei fazer subsequentemente. Julgo ter veiculado a ideia ou ideias centrais ligadas ao conceito de Risco Sistemático que são de grande importância para uma correcta análise de questões financeiras e económicas, sobretudo e especialmente com a questão de uma correcta abordagem á melhor alocação de activos numa carteira ou Portefólio institucional.

 

Referencias:

http://www.associacaodeinvestidores.com/wikinveste/index.php?title=Risco_sistem%C3%A1tico

http://en.wikipedia.org/wiki/Systematic_risk

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publicado às 18:47


Risco Idiossincrático

por Nuno Edgar Fernandes, em 12.07.13

As idiossincrasias são com certeza inconvenientes na maior parte das vezes. Em períodos de exigente necessidade de Racionalidade esta inconveniência é ainda mais crítica. Mas não nos fiquemos por uma simples abordagem dos problemas que as idiossincrasias podem gerar em diversos contextos como se fossem desprezáveis ou de fácil resolução; aspecto comportamental mui sui generis de latitudes meridionais. Paga-se sempre caro a condescendência perante riscos evidentes... Tanto em Economia como em Política:

 

Risco Idiossincrático: 

Na teoria de alocação de activos em portfólio, riscos de variações de preços, devido às circunstâncias únicas de um título específico, a contrário do risco associado aos  mercados globais, são chamados de riscos idiossincráticos. Este risco pode ser praticamente eliminado de uma carteira através da diversificação - a retenção de vários títulos significa que os movimentos dos títulos individuais cancelam-se ou sao mitigados. Ele também é chamado de risco não sistemático ou específico. Nos mercados completos, não há compensação para o risco idiossincrático, ou seja, risco idiossincrático de um título não importa para o seu preço. Por exemplo, num mercado completo em que o modelo de preespicificação de activos de capital (CAPM) se aplica, o preço de um título é determinado pelo grau de risco sistemático nos seus retornos.

Como exemplo o lucro líquido recebido, ou perdas sofridas, por um proprietário ao alugar uma ou duas propriedades está sujeito ao risco idiossincrático devido às inúmeras coisas que podem acontecer em bens imóveis e comportamento variável dos inquilinos. 

Em econometria, erro idiossincrático é usado para descrever erro de dados em painel que ambas as mudanças ao longo do tempo e/ou em todas as unidades (agentes económicos) (indivíduos, empresas, cidades, etc) podem ocorrer.

 

Referencias:

https://en.wikipedia.org/wiki/Idiosyncrasy 

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publicado às 17:05


Tipologia de Contratos

por Nuno Edgar Fernandes, em 19.06.13

No seguimento da entrada anterior passo agora aqui a descrever os tipos de contractos de derivados que existem e/ou sao mais negociados nos mercados financeiros globais:

 

Os principais tipos de contrato derivado são:

  1. A termo - comprador e vendedor se comprometem a comprar ou vender, em data futura, certa quantidade de um bem (mercadoria ou ativo financeiro), a um preço fixado na própria data da celebração do contrato. Os contratos a termo somente são liquidados integralmente na data de vencimento, podendo ser negociados em bolsa e no mercado de balcão.
  2. Futuros - contratos em que se estabelece a compra e venda de um ativo a um dado preço, numa data futura. O comprador ou vendedor se compromete a comprar ou vender certa quantidade de um ativo por um preço estipulado, numa data futura. No mercado futuro, os compromissos são ajustados diariamente às expectativas do mercado referentes ao preço futuro do bem, por meio do ajuste diário (mecanismo que apura perdas e ganhos). Os contratos futuros são negociados somente em bolsas.
  3. De opção - contratos que dão a compradores ou vendedores o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender o ativo relacionado, em um data futura (data do vencimento da opção), por um preço preestabelecido (o preço de exercício da opção). Tal como num contrato de seguro, o comprador deve pagar um prêmio ao vendedor. Diferentemente dos futuros, o detentor de uma opção de compra (call option) ou de venda (put option) não é obrigado a exercer o seu direito de compra ou venda. Opções do tipo americano podem ser exercidas a qualquer momento, até a data de vencimento;opções do tipo europeu só podem ser exercidas na data de vencimento do contrato. Caso não exerça seu direito, o comprador perde também o valor do prêmio pago ao vendendor.
  4. Swaps - contratos que determinam um fluxo de pagamentos entre as partes contratantes, em diversas datas futuras. Negocia-se a troca (em inglês, swap) do índice de rentabilidade entre dois ativos. Por exemplo: a empresa exportadora A tem uma dívida cujo valor é corrigido pela inflação e prevê que terá dólares em caixa. Portanto, ela pode preferir que sua dívida seja atualizada pela cotação do dólar. Já a empresa B, que só vende no mercado interno, tem um contrato reajustado em dólar, e pode preferir usar outro indexador, tal como a taxa de juros. Então, A e B, interessadas em trocar seus respectivos riscos, poderiam firmar um contrato de swap (diretamente ou mediante a intermediação de uma instituição financeira). O swap, no entanto, implica um certo risco. Variações inesperadas nos indexadores das dívidas podem eventualmente prejudicar um dos signatários, prejudicando o outro. Tal como a operação a termo, a operação de swap é liquidada integralmente no vencimento.
Poderemos acrescentar que o mercado global de derivados tem uma dimensão nocional de cerca de $700 biliões (em Inglês é Trillion) de Dólares, o que é um número absolutamente astronómico (equivalente a infinito para propósitos práticos). Por outro lado há um aspecto destes mercados que é importante e mesmo fulcral para entendermos como funcionam. Estes mercados transaccionam (na sua grande parte mas nao todos!) os seus negócios e contratos fora dos escrutínio e negociação normal de uma Bolsa de Valores (Exchange). São aquilo a que se chama no jargão internacional mercados over-the-counter ou em Português de mercados fora da contabilidade oficial. Como tal são mercados com fraca ou mesmo nenhuma regulação (estas características estão a ser alteradas internacionalmente depois da Crise Financeira de 2007-2010). Este aspecto é especialmente interessante porque a noção que se foi enraizando entre os participantes de que esse facto (a desregulamentação) era a característica essencial para o bom funcionamento e liquidez destes mercados (o que até certo ponto é verdade), revelou-se no entanto altamente paradoxal na Crise de 2007-2010, quando se constatou que a utilização dos contratos em Produtos Financeiros Estruturados Complexos criou problemas gravíssimos de liquidez e de correcta Valorização desses Produtos e mesmo de Portfolios ou Carteiras de dimensão elevada. Como resultado disso temos assistido a esforços internacionais de entidades oficiais (Bancos Centrais, etc.) e mesmo Políticas de regulamentar estes mercados para se evitar situações semelhantes no futuro. No entanto julgo que os progressos, sobretudo do lado da implementação real dessas novas regulamentações tem sido algo lento e difícil.

Referencias:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Derivativo

 

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publicado às 17:24


O que é um Derivado?

por Nuno Edgar Fernandes, em 19.06.13

No seguimento do post de ontem vou então dar inicio a uma série de definições e entradas de Literacia Financeira, Investimentos e Economia& Finanças em Língua Portuguesa. Dedico-me a esta tarefa com fascínio e sentido de missão porque penso que estes assuntos não são devidamente tratados, divulgados e esclarecidos pela nossa intelegentsia, nem pela nossa imprensa, mesmo a especializada, talvez por questões óbvias de viabilidade comercial. Por outro lado, julgo que estas questões, por serem de importância fundamental para o funcionamento da Economia, e portanto de toda a Sociedade necessitam de ser o mais amplamente divulgadas, para que os cidadãos e agentes económicos possam estar bem informados e formados para assim tomarem as melhores decisões. E há ainda a missão  de rejuvenescer a imagem destes domínios e assuntos para assim se proceder a recuperação da boa imagem de actividades e modelos de negócios no âmbito dos serviços financeiros, consultadoria económica e tecnologias de informação e plataformas de serviços variados ligados a estes sectores que desempenham papel central na competitividade de uma Economia moderna para o Sec. XXI. Parece-me que o público em geral em Portugal tem uma percepção algo difusa e não estruturada destes assuntos e qualquer contributo para a melhoria e aprofundamento desta percepção apenas pode ser positivo.

Escolhi para primeiro tópico: a nocao de Derivado.

Um Derivado é um contrato o qual se acorda o compromisso de pagamentos futuros (cash-flows), cujo montante é calculado com base no valor assumido por uma variável, tal como o preço de um outro activo (e.g. uma acção ou commodity (matéria-prima)), a inflação acumulada no período, a taxa de câmbio, taxa básica de juros ou qualquer outra variável dotada de significado económico. Derivados recebem esta denominação porque seu preço de compra e venda deriva do preço de outro ativo, denominado ativo-objecto.

No início do desenvolvimento dos mercados financeiros, os derivados foram criados como forma de proteger os agentes económicos (produtores ou comerciantes) contra os riscos decorrentes de flutuações de preços, durante períodos de escassez ou superprodução do produto negociado, por exemplo.

Atualmente, no entanto, a ideia básica dos agentes económicos, ao operar com derivados, é obter um ganho financeiro nas operações de forma a compensar perdas em outras atividades económicas. Desvalorização cambial e variações bruscas nas taxas de juros são exemplos de situações que já ocorreram na economia, nas quais os prejuízos foram reduzidos ou até se transformaram em ganhos para os agentes económicos que protegeram os seus investimentos realizando operações com derivados.

Entre os derivados mais populares encontram-se as opções e, sobre estas, existem diversos modelos teóricos de valorização. Dentre estes modelos, um dos mais difundidos é o Modelo de Black & Scholes, publicado por Robert C. Merton e denominado em honra Fischer Black e Myron Scholes, cuja formulação rendeu o Nobel de Economia aos seus autores, Merton e Scholes (Black já tinha falecido quando o prémio foi dado). Os mercados futuros e de opções são extremamente importantes no mercado financeiro. Utilizados por hedgersespeculadores e arbitradores, a sua formação de preços deriva de mercadorias e de ativos financeiros.


Como nota final queria voltar a destacar a importancia dos Derivados nos Mercados Financeiros contemporâneos globalizados, principalmente como ferramenta de Gestão de Risco Financeiro. Esta definição é particularmente importante no contexto de discussão á volta de recentes polémicas em Portugal como a questão das Swaps, ou a utilização generalizada dos Derivados em outras operações que envolvem Parceria Público-Privadas (PPP) ou na Gestão de fluxos de caixa nas mais variadas instituições e empresas, com destaque óbvio para as do sector financeiro.


Referencia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Derivado


ps: nao pude evitar o azul dos hiperlinks do artigo original da Wikipédia. Pelo possível incómodo peco eventual desculpa.

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publicado às 16:19


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