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Sistemas monetários e Economia Monetária

por Nuno Edgar Fernandes, em 23.04.14

A economia monetária é um importante ramo da Ciência Económica que historicamente prefigura e estende o ramo maior: a Macroeconomia. Providencia uma base conceptual para analisarmos a unidade fundamental da Ciência Económica: Dinheiro. Bem como as suas mais importantes funções, a saber: como meio de troca comercial, como reserva de valor e como unidade contabilística. Faz consideração de como o dinheiro pode ganhar o direito de aceitação nessas funções puramente pelo facto de se ter tornado um Bem Público. Examina os efeitos de sistemas monetários, incluindo a regulação de dinheiro e as instituições financeiras que lhe estão associadas, bem como aspectos internacionais.

 

Na análise monetária procura-se estabelecer as micro-fundações para a chamada Procura agregada de dinheiro e também distinguir relações entre o que se designa por Nominal e Real nas válidas relações monetárias. Assim os termos Macro e micro são clara, rigorosa e separadamente estudados, incluindo os seus efeitos na Economia a nível mais lato e agregado da Procura de bens, serviços ou produtos. E também efeitos no nível de Produto Interno Bruto (tema a tratar separadamente em post posterior). Como exemplo: um efeito Macro é a taxa nominal de inflação dos preços ao consumidor; um efeito micro é a taxa nominal de juro interbancário a um prazo curto. Os seus métodos incluem o derivar e testar as implicações do Dinheiro como activo substituto para outros activos fnanceiros e em fricções explícitas no sistema.

 

Tradicionalmente as principais áreas de investigação em Economia monetária podem perfeitamente ser listadas e categorizadas. Normalmente versam sobre temas como:

  • Determinantes empíricos para a Oferta Monetária: em sentido estrito ou lato ou indexado à actividade económica.
  • Teorias de Deflação e espiral de dívida deflacionaria,  teorias de balanço de contas que reitera que a sobre-extensão de crédito (oferta monetária extra) associada a subsequente queda de preços dos activos geram flutuações no ciclo económico através do chamado efeito de riqueza no valor do resultado líquido e alterações na Procura por Produto e procura monetária.
  • Implicações monetárias na relação nível de preços/macroeconomia
  • A Teoria Quantitativa do Dinheiro, ou monetarismo e a importância da estabilidade da relação entre oferta monetária e as taxas de juro, o nível geral de preços e o PIB (Produto Interno Bruto) nominal e real.
  • Impactos monetários nas taxas de juro na Curva das Taxas de Juro.
  • Lições a retirar da História Monetária/Financeira
  • Mecanismos de Transmissão da Política Monetária para a Macroeconomia.
  • O binómio Política Monetária/Política Fiscal e sua importância para a estabilidade macroeconómica.
  • A neutralidade do Dinheiro/ Ilusão Monetária e implicações para a Oferta Monetária e suas variações, bem como para o nível de inflação, nível de preços e PIB
  • Implicações Monetárias para questões de imperfeita informação e assimetria de informação
  • Testes e testabilidade e implicações das teorias de Expectativas Racionais dos Agentes Económicos para nas mudanças do PIB ou inflação.
  • A Teoria dos Jogos como modelo paradigmático das instituições financeiras e monetárias.
  • A Política Económica da Regulação Financeira e da Política Monetária.
  • As possíveis vantagens de seguir e cumprir uma Regra de Política Monetária para evitar ineficiências resultantes de inconsistências temporais na discricionariedade de políticas
  • '' o que quer que seja que os Banqueiros Centrais possam estar interessados ''

 

Feita esta introdução á Economia Monetária podemos agora descrever o que se entende por Sistema Monetário. Basicamente ao longo da História económica deverão ter existido diversos tipos de sistemas monetários. Alguns foram bem sucedidos; outros simplesmente desapareceram sem deixar rasto. O que ficou, particularmente nos últimos séculos desde a era moderna passando pela Revolução Industrial, são dois sistemas. Um mais antigo e que vigorou até quase o fim do Séc. XX: sistema monetário indexado ao Ouro, na expressão inglesa Gold Standard. E um sistema mais recente e que actualmente vigora: um sistema de dinheiro moeda puro ou na expressão inglesa Fiat Currency.

Enquanto no Gold Standard o valor do dinheiro é indexado a uma Matéria-prima que possui um valor largamente aceite como alto e estável, no regime de Fiat Currency o valor do dinheiro é inteiramente dependente da confiança institucional depositada por uma comunidade de cidadãos e agentes no sistema centralizado de transacções financeiras: o valor do dinheiro deixa de estar indexado para de certa forma possuir propriedade espontânea decorrente dessa confiança.

 

Trata-se de tema de debate intenso, tanto academicamente como nos círculos oficiais dos Bancos Centrais, sobre qual dos dois sistemas acima descritos oferece maiores garantias de estabilidade. O nosso sistema corrente é um sistema de Fiat Currency. Mas depois dos acontecimentos ligados á crise financeira de 2007-2008 muito do capital de confiança do sistema foi posto em causa. Muitos analistas apontaram o comportamento dos Banqueiros centrais e as suas não muito transparentes acções como estando na base da crise. Outros não são da mesma opinião e defendem que serão mais aspectos comportamentais intrínsecos dos Agentes bem como dos Mercados Financeiros desde a sua génese (que relembremos nunca foi estável e sempre  sujeito e atreito á instabilidade) aliado á distorção de incentivos presentes no mercado (aqui sem dúvida com a influência dos sectores oficiais -  e não só dos Bancos Centrais). A minha opinião e análise pessoal pende mais para esta última.

 

È importante também frisar a importância dos sistemas monetários para o financiamento público de governos e Estados e o seu papel na Crise das Dívidas soberanas na zona Euro.

 

E por hoje é só. Até ao próximo toque.

 

 

Ref. http://en.wikipedia.org/wiki/Monetary_system

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publicado às 15:23


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