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Forum de discussão sobre assuntos gerais de Portugal com especial enfoque em questões Executivas, Empresariais, Políticas e de Sociedade ou Filosofia.
Quando em Dezembro de 2005 decidi sair de Portugal e emigrar para a Inglaterra não fazia ainda ideia, até por não me interessar muito por questões políticas na altura, de factos relativos à qualidade institucional na Política portuguesa. Na altura o que me interessava era escapar de uma terrível crise económica e social e de um discurso e retórica profundamente desagradáveis e negativas, procurar melhores condições de vida e de emprego e uma outra perspectiva do Mundo e de tudo. Vivia e sentia confusão perante o que sentia ser uma rota algo caótica e desadequada da Sociedade e Economia Portuguesa de então; francamente o crepúsculo da anterior desejada estabilidade já estava presente e se sentia por todo o lado...
No entanto essa minha experiência internacional vincou, aprofundou e inclusive mudou para pior a impressão de desajuste que naquela altura sentia. Fiquei sempre algo chocado com a imagem internacional do País, sobretudo quando visto sob a perspectiva dos Países mais avançados da Europa; em Inglaterra esta zona do Mundo é a Espanha e o seu retalho de Países que realmente conta... Em Outubro de 2009 não vivia portanto em Portugal e seria para mim difícil ajuizar correctamente a esta distância como estava o País, até porque eram parcas as vezes em que procurava inteirar-me, e por outro lado nem muito interessado estava vivendo como vivia num País de matriz Global e onde solicitações informativas são muitas e por muitos outros caminhos. Mas o que hoje posso constatar, depois de em Junho de 2011 ter para cá regressado é que a situação do País já era de facto então muito grave e que a derrocada e lamentável caminho para a fragilização institucional já estava em pleno curso.
Tudo isto vem a propósito de endereçar parabéns a mais uma excelente reflexão sobre a Política portuguesa e a sua actual situação por André Azevedo Alves no Observador, em que de forma lúcida e equilibrada nos diz que o País está efectivamente numa encruzilhada, e que agora em Outubro de 2015 a crescente fragilidade institucional, de regime e sistema político poderá ter contornos de ruptura. Ninguém de bom senso o deseja, como é óbvio, no entanto será nestas alturas que lideranças fortes, responsáveis e à devida altura das exigências se exige que surjam; e que saibam serenamente interpretar devidamente os resultados da Eleições de 4 de Outubro que não me parece que tenham sido tão ambíguas como isso...
A esse propósito gostaria apenas de referir que poderemos, talvez devemos, assistir desta vez em Portugal à confirmação de que os Governos maioritários não são necessariamente os melhores Governos, vistas as circunstâncias e tempos diferentes, e que o precedente do anterior Governo demonstrou, com as repetidas iniciativas legislativas a serem inúmeras vezes questionadas quer pelo Presidente da República quer rejeitadas em sede de Tribunal Constitucional. Talvez em vez de se questionar a Constituição, mesmo que com alguns retoques o enquadramento e espírito da Lei Fundamental pudessem ser renovados, estes novos tempos Políticos exigem a todos os agentes políticos a capacidade de chegar a compromissos e atitudes irredutivelmente conciliadoras e não confrontadoras. Não deixa de ser curioso que a resposta dos agentes Políticos perante resultados eleitorais ambíguos seja a polarização e o radicalismo....
Mas provavelmente só é curioso para quem olha de fora e não sente o sistema por dentro.
Quando em Dezembro de 2005 decidi sair de Portugal e emigrar para a Inglaterra não fazia ainda ideia, até por não me...
Posted by Portugal Contemporâneo on Saturday, October 10, 2015
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