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Sobre Crises de Valores

por Nuno Edgar Fernandes, em 22.07.13

Por certo que nestes últimos anos e décadas temos lido, ouvido e assistido sobre uma impressão de Crise de Valores no chamado Mundo da Civilização Ocidental. Mas no entanto, não ouvimos ou lemos com a mesma frequência e empenho falar-se sobre a própria noção de Valor. Do que falamos quando falamos de Crise de Valores? Não me parece duvidoso de que falamos de algo ético. Queremos então focar a nossa atenção e a atenção de quem nos lê ou ouve na noção de Valor Ético.

A Ética no nosso tempo, e talvez contrariamente ao tempo de Spinoza ou Descartes é talvez assunto fragmentado e disperso. Não deixou no entanto de ser essencial e fundamental o seu ensinamento e influencia, para a boa conduta, sustentação nas Consciências dos Homens, da noção certa e formal de comportamentos, as  consequencias dos mesmos, bem como das suas intenções. A Ética é portanto reflexão aprofundada destes assuntos, dos efeitos e consequencias dos nossos comportamentos e intenções; desejos, vontades e Valores. É também o arregimentar e concentrar, num conjunto sintético de prerrogativas que, Racionalizem, definam e suportem as regras que estruturem uma melhor e mais apropriada conduta. Já li algures que a diferença entre Ética e Moral está precisamente nesta ideia de que a Ética estrutura e racionaliza, mas a Moral é o conteúdo e irredutível âmago do comportamento, da vontade ou do Valor. Não queria, em relação a esta distinção ter muita certeza, porquanto talvez não se tenha reflectido e estudado com a profundidade necessárias.

Chegados aqui, julgo ser mais claro sabermos então do que falamos quando falamos de Crises de Valores. Sem me alongar muito, desde logo pelas perplexidades e complexidades da semântica da ideia de Crise penso então que, do que falamos é de disfunção do ou dos processos que nos permitem construir um edifício de Razão (Ética) e de qualidade e solidez daquilo que faz emergir esses processos (Moral). Tenho para mim que a chamada Civilização Ocidental e o conjunto das suas instituições foi a que Historicamente consegui ser a mais bem sucedida e a que mais longe chegou nesta demanda Ética e Moral. Sobretudo se olharmos para esta demanda sob o prisma da Racionalidade, da solidez e robustez de processos. Porém a impressão continua a ser de Crise.

Talvez a verdadeira Crise seja o questionar e antecipar que se está correntemente a fazer sobre a validade Histórica daqueles comportamentos, vontades, conteúdos e Valores. Isto acontece porque também a Ética e a Moral são fenómenos Históricos. Mesmo que olhemos para aqueles conteúdos, comportamentos, vontades e Valores com orgulho e soberba, o mesmo não significa que eles são perenes e eternos. Mas este questionar é em si mesmo muito interessante, porque como neste texto referi julgo ser consensual considerarmos que a Ética e a Moral do nosso tempo estão fragmentadas e dispersas, por oposto a estarem concentradas. A que deve este fenómeno ao Devir Histórico? E se é assim, não é a Crise de Valores um questionar e antecipar, para depois desejar que encontremos novas e inovadas formas de concentrar, racionalizar e controlar (no sentido de optimizar as necessárias Certezas) os efeitos do identificado Devir Histórico? Com certeza que nos debruçamos aqui sobre processo com escala temporal longo, e que este questionar e antecipar inevitavelmente causa ansiedade e perplexidade num número muito plural de gerações. É isto para mim a actual Crise de Valores! A ansiedade de hoje será a Certeza e serenidade de amanha, ou assim todos o queiramos. 

Poderia ainda indicar aqui outras dimensões desta problemática, como o intangível e transcendente de muitos conteúdos e Valores, que se exprimem por vezes na Arte, Poesia ou Filosofia. Estas actividades humanas são intrinsecamente actos Éticos e Morais, e o seu digamos, bem-estar, valorização ou alavancagem  mereceriam espaço próprio numa reflexão sobre Crises de Valores. Mas talvez aqui o espaço seja pouco.....!

Como citou Albert Einstein, não resolvemos problemas ou crises actuais com o mesmo pensamento e atitude que os originaram. Para, e se assim o quisermos, voltar a concentrar a melhor Ética e Moral dos Homens, que sejamos capazes e dignos do trabalho e esforço desta Inovação.

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publicado às 11:53


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