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Tipologia de Contratos

por Nuno Edgar Fernandes, em 19.06.13

No seguimento da entrada anterior passo agora aqui a descrever os tipos de contractos de derivados que existem e/ou sao mais negociados nos mercados financeiros globais:

 

Os principais tipos de contrato derivado são:

  1. A termo - comprador e vendedor se comprometem a comprar ou vender, em data futura, certa quantidade de um bem (mercadoria ou ativo financeiro), a um preço fixado na própria data da celebração do contrato. Os contratos a termo somente são liquidados integralmente na data de vencimento, podendo ser negociados em bolsa e no mercado de balcão.
  2. Futuros - contratos em que se estabelece a compra e venda de um ativo a um dado preço, numa data futura. O comprador ou vendedor se compromete a comprar ou vender certa quantidade de um ativo por um preço estipulado, numa data futura. No mercado futuro, os compromissos são ajustados diariamente às expectativas do mercado referentes ao preço futuro do bem, por meio do ajuste diário (mecanismo que apura perdas e ganhos). Os contratos futuros são negociados somente em bolsas.
  3. De opção - contratos que dão a compradores ou vendedores o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender o ativo relacionado, em um data futura (data do vencimento da opção), por um preço preestabelecido (o preço de exercício da opção). Tal como num contrato de seguro, o comprador deve pagar um prêmio ao vendedor. Diferentemente dos futuros, o detentor de uma opção de compra (call option) ou de venda (put option) não é obrigado a exercer o seu direito de compra ou venda. Opções do tipo americano podem ser exercidas a qualquer momento, até a data de vencimento;opções do tipo europeu só podem ser exercidas na data de vencimento do contrato. Caso não exerça seu direito, o comprador perde também o valor do prêmio pago ao vendendor.
  4. Swaps - contratos que determinam um fluxo de pagamentos entre as partes contratantes, em diversas datas futuras. Negocia-se a troca (em inglês, swap) do índice de rentabilidade entre dois ativos. Por exemplo: a empresa exportadora A tem uma dívida cujo valor é corrigido pela inflação e prevê que terá dólares em caixa. Portanto, ela pode preferir que sua dívida seja atualizada pela cotação do dólar. Já a empresa B, que só vende no mercado interno, tem um contrato reajustado em dólar, e pode preferir usar outro indexador, tal como a taxa de juros. Então, A e B, interessadas em trocar seus respectivos riscos, poderiam firmar um contrato de swap (diretamente ou mediante a intermediação de uma instituição financeira). O swap, no entanto, implica um certo risco. Variações inesperadas nos indexadores das dívidas podem eventualmente prejudicar um dos signatários, prejudicando o outro. Tal como a operação a termo, a operação de swap é liquidada integralmente no vencimento.
Poderemos acrescentar que o mercado global de derivados tem uma dimensão nocional de cerca de $700 biliões (em Inglês é Trillion) de Dólares, o que é um número absolutamente astronómico (equivalente a infinito para propósitos práticos). Por outro lado há um aspecto destes mercados que é importante e mesmo fulcral para entendermos como funcionam. Estes mercados transaccionam (na sua grande parte mas nao todos!) os seus negócios e contratos fora dos escrutínio e negociação normal de uma Bolsa de Valores (Exchange). São aquilo a que se chama no jargão internacional mercados over-the-counter ou em Português de mercados fora da contabilidade oficial. Como tal são mercados com fraca ou mesmo nenhuma regulação (estas características estão a ser alteradas internacionalmente depois da Crise Financeira de 2007-2010). Este aspecto é especialmente interessante porque a noção que se foi enraizando entre os participantes de que esse facto (a desregulamentação) era a característica essencial para o bom funcionamento e liquidez destes mercados (o que até certo ponto é verdade), revelou-se no entanto altamente paradoxal na Crise de 2007-2010, quando se constatou que a utilização dos contratos em Produtos Financeiros Estruturados Complexos criou problemas gravíssimos de liquidez e de correcta Valorização desses Produtos e mesmo de Portfolios ou Carteiras de dimensão elevada. Como resultado disso temos assistido a esforços internacionais de entidades oficiais (Bancos Centrais, etc.) e mesmo Políticas de regulamentar estes mercados para se evitar situações semelhantes no futuro. No entanto julgo que os progressos, sobretudo do lado da implementação real dessas novas regulamentações tem sido algo lento e difícil.

Referencias:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Derivativo

 

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publicado às 17:24


O que é um Derivado?

por Nuno Edgar Fernandes, em 19.06.13

No seguimento do post de ontem vou então dar inicio a uma série de definições e entradas de Literacia Financeira, Investimentos e Economia& Finanças em Língua Portuguesa. Dedico-me a esta tarefa com fascínio e sentido de missão porque penso que estes assuntos não são devidamente tratados, divulgados e esclarecidos pela nossa intelegentsia, nem pela nossa imprensa, mesmo a especializada, talvez por questões óbvias de viabilidade comercial. Por outro lado, julgo que estas questões, por serem de importância fundamental para o funcionamento da Economia, e portanto de toda a Sociedade necessitam de ser o mais amplamente divulgadas, para que os cidadãos e agentes económicos possam estar bem informados e formados para assim tomarem as melhores decisões. E há ainda a missão  de rejuvenescer a imagem destes domínios e assuntos para assim se proceder a recuperação da boa imagem de actividades e modelos de negócios no âmbito dos serviços financeiros, consultadoria económica e tecnologias de informação e plataformas de serviços variados ligados a estes sectores que desempenham papel central na competitividade de uma Economia moderna para o Sec. XXI. Parece-me que o público em geral em Portugal tem uma percepção algo difusa e não estruturada destes assuntos e qualquer contributo para a melhoria e aprofundamento desta percepção apenas pode ser positivo.

Escolhi para primeiro tópico: a nocao de Derivado.

Um Derivado é um contrato o qual se acorda o compromisso de pagamentos futuros (cash-flows), cujo montante é calculado com base no valor assumido por uma variável, tal como o preço de um outro activo (e.g. uma acção ou commodity (matéria-prima)), a inflação acumulada no período, a taxa de câmbio, taxa básica de juros ou qualquer outra variável dotada de significado económico. Derivados recebem esta denominação porque seu preço de compra e venda deriva do preço de outro ativo, denominado ativo-objecto.

No início do desenvolvimento dos mercados financeiros, os derivados foram criados como forma de proteger os agentes económicos (produtores ou comerciantes) contra os riscos decorrentes de flutuações de preços, durante períodos de escassez ou superprodução do produto negociado, por exemplo.

Atualmente, no entanto, a ideia básica dos agentes económicos, ao operar com derivados, é obter um ganho financeiro nas operações de forma a compensar perdas em outras atividades económicas. Desvalorização cambial e variações bruscas nas taxas de juros são exemplos de situações que já ocorreram na economia, nas quais os prejuízos foram reduzidos ou até se transformaram em ganhos para os agentes económicos que protegeram os seus investimentos realizando operações com derivados.

Entre os derivados mais populares encontram-se as opções e, sobre estas, existem diversos modelos teóricos de valorização. Dentre estes modelos, um dos mais difundidos é o Modelo de Black & Scholes, publicado por Robert C. Merton e denominado em honra Fischer Black e Myron Scholes, cuja formulação rendeu o Nobel de Economia aos seus autores, Merton e Scholes (Black já tinha falecido quando o prémio foi dado). Os mercados futuros e de opções são extremamente importantes no mercado financeiro. Utilizados por hedgersespeculadores e arbitradores, a sua formação de preços deriva de mercadorias e de ativos financeiros.


Como nota final queria voltar a destacar a importancia dos Derivados nos Mercados Financeiros contemporâneos globalizados, principalmente como ferramenta de Gestão de Risco Financeiro. Esta definição é particularmente importante no contexto de discussão á volta de recentes polémicas em Portugal como a questão das Swaps, ou a utilização generalizada dos Derivados em outras operações que envolvem Parceria Público-Privadas (PPP) ou na Gestão de fluxos de caixa nas mais variadas instituições e empresas, com destaque óbvio para as do sector financeiro.


Referencia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Derivado


ps: nao pude evitar o azul dos hiperlinks do artigo original da Wikipédia. Pelo possível incómodo peco eventual desculpa.

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publicado às 16:19


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